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O BABADOOK: O "Monstro" da Depressão que a Mãe Solo Enfrenta

    A família monoparental materna, também chamada de família com mãe solo, é um arranjo familiar caracterizado pela presença exclusiva da figura materna na criação dos filhos, sem a participação ativa do outro genitor. E Babadook (2014), dirigido por Jennifer Kent, nada mais é do que uma perfeita alegoria para transtornos mentais como a depressão pós-parto e a depressão crônica, utilizando o horror para explorar traumas não resolvidos e dinâmicas familiares disfuncionais nos desafios da maternidade solo.

    O filme conta a história de Amelia, que vive um luto patológico pela morte do marido ocorrida exatamente no dia do nascimento do filho Samuel, unindo estresse pós-traumático com ambivalência materna, típicos da depressão.

    Seis anos se passaram, mas Amelia ainda não superou sua perda, tendo dificuldades para se conectar afetivamente com o filho. Na nova casa, eles encontram um livro infantil que conta a história de Babadook, um "monstro" que ganha força com a negação da sua existência:

"Se ler uma palavra do que está olhando, não pode se livrar do Babadook.

Se você é realmente inteligente e sabe o que há para se ver, então poderá fazer um amigo especial, um amigo como eu e você.

O seu nome é Sr. Babadook. E este é o seu livro.

Um som estrondoso, e então, três batidas fortes:

Ba-ba dook! dook! dook!

É assim que saberá quando ele está por perto.

Você o verá se olhar.

Vê-lo em seu quarto à noite e não piscará os olhos.

Logo vou tirar meu disfarce engraçado.

Tomo cuidado com o que você ler.

E uma vez que você ver o que está embaixo, vai desejar estar morto."

    Refletindo como a repressão de sintomas como apatia, irritabilidade e ideação suicida agrava o quadro, levando a alucinações e agressividade projetada no filho.

    Samuel, sendo hipervigilante e agressivo no início, manifesta impactos afetivos da depressão materna, como dificuldades sociais e explosões emocionais, mas melhora com a aceitação parcial do "monstro" por Amelia, sugerindo que convívio com a patologia (via terapia ou suporte) permite regulação emocional familiar.

    Comportamento que é muito comum nos impactos na vida dos filhos. Sentimentos de abandono e baixa autoestima; Dificuldades nas relações interpessoais; que mostram como é importante os vínculos afetivos e redes de apoio para um desenvolvimento saudável.

    O filme dialoga com o aumento global de visibilidade à depressão pós-parto na década de 2010, impulsionado por campanhas como as da OMS e estudos sobre prevalência em mães solteiras (até 20-30% em contextos vulneráveis). Com o aumento das transformações nas configurações familiares brasileiras; Crescimento de lares chefiados por mães solo; e Relevância de compreender causas, desafios e impactos desse modelo familiar.

    No Brasil, ressoa com o SUS e legislações como a Lei 13.257/2016 (Marco Legal da Primeira Infância), que enfatizam apoio a famílias monoparentais, mas expõem estigmas culturais de "super mãe" ou "mãe perfeita" enraizados na nossa sociedade machista. Que só aumenta os desafios enfrentados pelas mães solo, como:

  • Sobrecarga financeira: são as únicas responsáveis pelo sustento familiar; e salários desiguais;
  • Acúmulo de funções: trabalho, cuidado dos filhos, tarefas domésticas; risco de esgotamento evoluindo para o Transtorno de Burnout;
  • Estigmatização social: preconceitos e discriminação associados à maternidade solo;
  • Dificuldades no acesso a políticas públicas: falta de creches o suficiente, escolas de qualidade e serviços de saúde.
    O Babadook usa a maternidade como metáfora de isolamento social, ecoando narrativas de "mulher louca" reprimida, adaptadas à era neoliberal onde mães solo enfrentam precarização econômica sem rede de apoio.

  Também, quebra com o horror maternal patriarcal (ex.: possessões demoníacas culpabilizando mulheres), apresentando o "monstro" como projeção interna e crítica ao estigma quando os pedidos de ajuda de Amelia são punidos socialmente, como ligações ameaçadoras e familiares pressionando sua lucidez e "tarefa de mãe", paralelizando rejeição social à vulnerabilidade mental.

    No imaginário brasileiro, dialoga com filmes como Central do Brasil (1998) ao retratar mães solo periféricas, mas usa simbolismo pop (livro pop-up) para acessar público jovem, fomentando discussões e terapias sobre luto e melancolia freudiana.

    Perspectivas e soluções precisam urgentemente de uma gestão mais aprimorada. Como:

  • Creches e escolas integrais: que facilitam a permanência da mãe no mercado de trabalho;
  • Capacitação profissional e geração de renda: que promovem autonomia financeira;
  • Apoio psicológico e redes de suporte: que reduzem o estresse e fortalecem a resiliência;
  • Combate à desigualdade de gênero: equidade salarial e divisão justa das responsabilidades domésticas.

    No final do filme, quando Amelia "alimenta" o "monstro" no porão com minhocas, apenas valida a maternidade imperfeita, desafiando mitos de superação total e promovendo empatia por mães em contextos de desigualdade de gênero.


    Cantora Raphaela Santos homenageando mães solo no dia das mães, em música de 2024:

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